Casamento Sangrento: A Viúva é, de muitas formas, uma celebração ao cinema de horror. Já disponível nos cinemas, o filme não só dá sequência a um dos grandes sucessos do gênero nos últimos anos, como também expande esse universo com a ajuda de um elenco que reúne veteranos e novas estrelas para uma nova rodada de jogos mortais divertidamente macabros.
A Viúva é continuação de Casamento Sangrento, filme de 2019 que contou a história de Grace (Samara Weaving). A jovem viu o sonho de se casar virar um pesadelo ao ser obrigada a participar de uma tradição da família do noivo, que exige que agregados participem de jogos. Ela sorteia esconde-esconde sem saber que se tratava de uma versão sangrenta da brincadeira em que, se encontrada, acabaria morta.
Misturando sustos, sanguinolência, comédia mórbida e uma dose de crítica social, o filme se tornou sucesso de público e crítica. Com uma arrecadação de quase 10 vezes o próprio orçamento nas bilheterias e uma aprovação de 89% no Rotten Tomatoes, o longa alçou os envolvidos ao estrelato. Os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, e o roteirista Guy Busick, que fazem parte do coletivo Radio Silence, foram escolhidos para assumir o reinício da franquia Pânico nos cinemas. Porém, o maior legado foi consolidar sua protagonista como um grande nome do terror.
Casamento Sangrento levou a carreira de Samara Weaving a um novo patamar dentro do gênero. Afinal, antes de protagonizar o longa, ela já havia participado de produções como Ash vs. Evil Dead, série que deu sequência aos filmes da franquia The Evil Dead, e o horror adolescente A Babá (2017). Porém, foi como Grace que a atriz mostrou todo o seu talento ao interpretar uma protagonista tão durona quanto carismática, que sobreviveu ao ter que comer o pão que o diabo amassou, se tornando assim uma das responsáveis pelo inesperado sucesso do longa.
“Eu realmente não esperava a repercussão que [o filme] teve”, afirmou Samara Weaving. “A base de fãs simplesmente cresceu e cresceu. É maravilhoso que as pessoas amem o filme tanto quanto nós amamos fazê-lo.”
Com o sucesso de Casamento Sangrento, os convites para participar de filmes de terror não pararam, e ela chegou a integrar o elenco de produções como Pânico VI (2023). Porém, não demorou para Weaving receber a chance de voltar a Grace, algo que ela aceitou sem pensar.
A atriz retornou para protagonizar Casamento Sangrento: A Viúva, que começa exatamente da conclusão do longa anterior. Ao sobreviver, Grace causou a morte de toda a família de seu noivo, o que abriu um vácuo na seleta organização formada por poderosos clãs de elite. Isso leva o jogo mortal a um novo patamar, onde quem trouxer a cabeça da jovem é premiado com o comando dessa cúpula.
Seguindo a cartilha não só do horror, mas do cinema em geral, a produção nasceu com a missão de expandir o universo do primeiro filme, algo que empolgou Weaving: “Vocês podem esperar muito sangue e muita loucura. É tudo o que você amou no primeiro, mas em maior quantidade. Há uma bazuca envolvida em certo ponto.”
Acontece que, dessa vez, ela não chega para jogar sozinha. Após vencer o esconde-esconde assassino, Grace é hospitalizada. Seu contato de emergência é Faith, a irmã com quem não falava há anos e, para o azar de ambas, o reencontro acontece justo quando começa a nova rodada dos jogos, o que faz a caçula se juntar à brincadeira.
Para interpretar Faith, Casamento Sangrento: A Viúva foi atrás de outra jovem com experiência no terror e encontrou Kathryn Newton, que se tornou parte da nova geração do gênero graças a participações na série Supernatural e em filmes como Atividade Paranormal 4 (2012), Freaky: No Corpo de um Assassino (2020) e Abigail (2024).
Mais do que uma nova sobrevivente, a irmã mais nova é parte fundamental para a jornada de A Viúva: “Se o primeiro filme era uma história anti-amor, este é, de fato, uma história de amor. Ponto final.”, explicou o diretor Matt Bettinelli-Olpin “Essa base emocional permite que todo o resto descambe para a loucura.”
A loucura à qual o cineasta se refere é o empecilho na jornada de reconciliação de Grace e Faith: o fato delas precisarem se reconectar enquanto são caçadas por famílias ricas. Conscientes de que os vilões são parte importante da equação, a equipe foi atrás de veteranos do terror para fazer frente a seus novos talentos.
Os veteranos em Casamento Sangrento: A Viúva
A reverência de Casamento Sangrento: A Viúva ao passado do horror começa na escalação de ninguém menos do que David Cronenberg. O diretor é conhecido por alguns dos maiores clássicos do gênero, como A Mosca (1986), Gêmeos – Mórbida Semelhança (1988) e Videodrome – A Síndrome do Vídeo (1983). Ao cineasta coube interpretar Chester Danforth, patriarca da principal família dessa sociedade secreta macabra.
Acontece que a produção não parou por aí e fortaleceu a família Danforth com Sarah Michelle Gellar, cujo currículo fala por si só. Protagonista da série Buffy: A Caça-Vampiros, a atriz teve destaque também em Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), Pânico 2 (1997) e O Grito (2004). Ela dá vida a Ursula, que se torna perigosa justamente pelo desejo de proteger o sangrento legado do pai.
Não que alguém duvidasse, mas a atriz se mostrou a escolha certa para uma personagem ameaçadora. E quem diz isso é Kathryn Newton: “Surtei quando fiquei sabendo de Sarah Michelle Gellar. Ela não precisa nem mexer o dedinho para me deixar assustada. Essa é Ursula Danforth.”
Para se juntar a um renomado diretor e uma atriz que se tornou um dos rostos do gênero, a Casamento Sangrento: A Viúva fez um resgate inusitado. Afinal de contas, a produção traz Elijah Wood, que apesar de ser lembrado por viver o senhor Frodo em O Senhor dos Anéis e papéis cômicos, têm uma grande estrada no terror graças a filmes como Maníaco (2012), Vem Com o Papai (2019), O Macaco (2025) e Prova Final (1998) – em que contracenou com Shawn Hattosy, ator escolhido para viver Titus, o irmão gêmeo de Ursula.
Wood interpreta não um membro de uma das famílias ricas, mas sim o Advogado, figura responsável por zelar pelas regras do jogo macabro sem participar dele. Uma papel excêntrico que causa uma certa cisão entre os realizadores.
O ator modestamente o descreve como “um cara de terno com um livro antigo gigante explicando as regras de um jeito único e sinistro”. Porém, o diretor Matt Bettinelli-Olpin afirma que este é “o papel que mantém o filme unido. É a cola que une a trama. Se esse papel não funcionar, tudo desmorona”.
Felizmente, o astro dá conta do recado e se torna uma das cerejas do bolo de um filme que marca uma celebração ao cinema de terror graças ao unir novos talentos e nomes consagrados. Você pode conferir essa festança deliciosamente macabra em Casamento Sangrento: A Viúva, que já está disponível nos cinemas.


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