Depois de explorar o imaginário de Criptídeos, a Souedo apresenta o segundo capítulo da marca, “O Lugar”. A nova coleção parte de uma pergunta simples, mas ampla: o que, afinal, faz de um espaço um lugar? A resposta está na ideia de pertencimento. Os espaços que habitamos nos transformam tanto quanto nós os transformamos, e é esse raciocínio sobre arquitetura e identidade que guia toda a coleção.
A investigação nasce de um gesto pessoal. Ao pesquisar a própria história familiar, o diretor criativo Daniel Azevedo encontra nos sobrenomes Souza e Azevedo – que dão origem ao nome da marca – um ponto de partida para rastrear origens, migrações e lugares que moldaram sua família antes mesmo de ele nascer. “A minha história funciona como uma porta de entrada para discutir uma experiência maior. Todos nós carregamos lugares que nos formaram, sejam eles uma cidade, uma casa, uma rua ou até mesmo um território que existe em nossos pensamentos”, explica.
É esse movimento que estrutura a narrativa da nova coleção, apresentada em três drops ao longo do ano. O primeiro capítulo olha para Portugal, terra natal da família de Daniel, e trabalha noções de herança e escapismo. O segundo se desloca para São Paulo e Rio de Janeiro, cidades para as quais a Souedo está expandindo. Já o terceiro retorna a Manaus, mas não como exercício de nostalgia e sim como reflexão sobre o eterno retorno ao lugar de origem.
Fotografia impressa no tecido
Um dos pilares da Souedo desde sua fundação, a fotografia analógica volta a ser matéria-prima de estampa em “O Lugar” – desta vez impressa sobre linho, transformando registros feitos durante a pesquisa da coleção em superfícies têxteis.
As fachadas listradas de Costa Nova do Prado, cidade portuguesa de onde vem a família de Daniel, inspiram parte das estampas do primeiro drop. Já o terceiro capítulo começa a investigar como a arquitetura amazônica pode influenciar corte e volume, partindo de princípios como ventilação, elevação e adaptação ao clima em vez de reproduzir literalmente elementos como as palafitas.
Entre os materiais, a coleção segue explorando o chiffon e o linho, recorrentes no repertório da marca, além de malhas produzidas a partir de PET reciclado e, pela primeira vez, sementes do Amazonas usadas como elementos construtivos e ornamentais.
Ao todo, “O Lugar” reúne no máximo 36 peças de vestuário – um número que não é aleatório: a referência é o filme fotográfico, reforçando a relação da marca com a fotografia analógica e a ideia de que cada peça deve existir com intenção, como parte de uma narrativa maior. “Vejo a Souedo como uma marca de moda, mas também como um ecossistema de arte, onde o vestir e outras formas de expressão se encontram para “, resume Daniel.
Um lugar na cerâmica
“O Lugar” ganha ainda, neste semestre, um desdobramento além da moda: pela primeira vez, a Souedo assina uma colaboração com outra marca, fruto de uma amizade de longa data entre Daniel e a ceramista Clara Amaral. Juntos, eles desenvolvem uma cápsula de 70 peças exclusivas para a casa com a Bença, marca de cerâmica minimalista de Clara, levando o conceito da coleção também para dentro de casa – um movimento que acompanha a expansão da Souedo no mercado, com a chegada da marca à distribuição multimarcas ainda neste semestre.
Sobre a Souedo
A Souedo é uma marca brasileira de moda autoral que nasce do encontro entre moda, fotografia, arte e narrativa contemporânea. Fundada em 2024, a marca se define como criadora de antologias vestíveis – peças que não seguem tendências, mas constroem capítulos visuais de memória, identidade e pertencimento. Com origem no Amazonas e atuação entre diferentes geografias e linguagens, a Souedo traduz referências regionais em uma estética cosmopolita e sensível, propondo o vestir como linguagem cultural.
A fotografia também é um dos pilares centrais da Souedo. Inspirada na estética da imagem analógica, a marca transporta o gesto fotográfico para o tecido, criando superfícies que funcionam como memórias impressas no corpo. Outro elemento essencial de sua identidade é o uso do Tururi, fibra natural extraída da palmeira Ubuçu e trabalhada por comunidades indígenas Ticuna, no Amazonas, reforçando o compromisso da marca com o saber ancestral, o fazer artesanal e uma relação ética com sustentabilidade e preservação cultural. Mais do que moda, a Souedo opera como um ecossistema artístico que integra vestuário, fotografia, texto e performance, expandindo o corpo como suporte de expressão cultural.

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